Bruno Covas

“O jovem na profissionalização séria

do processo eleitoral e na vida partidária”

Bruno Covas*

A profissionalização da política passa necessária e inegavelmente pela participação dos jovens no processo eleitoral e na vida partidária.

Embora a frase o jovem é o futuro da nação possa parecer gasta, não perdeu, de fato, sua validade, sua verdade.

Que nação ao pensar seu futuro não olha imediatamente para seus jovens? Que país responsável não planeja políticas voltadas para a educação, para a qualificação dos jovens? É preciso, no entanto, implementar, consolidar políticas públicas consistentes feitas pelos jovens e voltadas especificamente para eles.

No Brasil, hoje, os políticos e a corrupção são o que mais envergonham os adolescentes brasileiros. Trinta e sete por cento dos jovens entre 15 e 19 anos manifestaram essa posição na pesquisa de âmbito nacional Adolescentes e jovens do Brasil: participação social e política, realizada pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Instituto Ayrton Senna e Fundação Itaú Social, em novembro de 2007.

O governo e suas instituições também foram citados pelos jovens na pesquisa Retratos da Juventude Brasileira feita pelo Instituto de Cidadania, em novembro de 2005. Os partidos políticos e o Legislativo (em todos os níveis) não são confiáveis para mais de 60% dos jovens e 55% deles têm postura crítica ao Governo federal.

Em 2004, pouco antes das eleições municipais, e em novembro de 2005, período em que a crise de corrupção do Congresso Nacional Brasileiro atingiu seu ápice, os institutos Pólis e Ibase realizaram pesquisa com oito mil jovens. O levantamento apontou que 28% fazem parte de algum grupo, mas apenas 1% desses jovens participam de algum partido político. E apenas 0,7% está filiado a algum sindicato.

Entretanto, uma mudança positiva vem se materializando. Em 2008, pesquisa realizada pelo Instituto Cidadania por meio do Projeto Juventude, dá novos dados da percepção dos jovens brasileiros sobre a política: 37% acreditam que a política influi muito em suas vidas e 32% que influi pouco; 36% avaliam influenciar a política de alguma forma, seja por meio do voto nas eleições, reclamando seus direitos, pagando impostos ou, ainda, fazendo intervenções políticas. Finalmente, 54% dos 3.500 jovens ouvidos consideram a política algo muito importante. E 68,8% deles, entre 15 e 29 anos, acreditam que o voto pode mudar a situação do país e 66,6% afirmam não ser aceitável não votar nas eleições. O que ajuda a reconstruir, a modificar o sentimento de que o jovem não gosta da política. É preciso mudar o sentimento de que a política não gosta do jovem.

O Brasil, como muito já se falou, é um país de jovens. O país vive sua onda jovem. Há, no momento, a maior geração de jovens de todos os tempos: são 48 milhões de brasileiros(as) com idade entre 15 e 29 anos. Durante a década de 90, viveu-se a chamada “onda jovem”. As taxas de crescimento da população de 15 a 29 anos foram muito intensas. Atualmente, 85% da população jovem mundial vivem nos chamados países em desenvolvimento. Nessa perspectiva, a maior barreira à afirmação da juventude é a pobreza, que lhe rouba as oportunidades e as expectativas de uma vida digna, condenando-a a situações e estruturas vulnerabilizantes.

Em São Paulo, por exemplo, em termos de políticas públicas, algumas importantes conquistas foram alcançadas. O governo do PSDB criou o Conselho Estadual da Juventude (1986), a Secretaria de Juventude (1997), alterada para Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (1999) e a Coordenadoria Estadual de Programa das Juventude, que integra a Secretaria de Relações Institucionais de Juventude.

Em 2009, com apoio desse deputado, por meio de emenda ao orçamento no montante de duzentos mil reais, a Coordenadoria de Juventude implantou uma série de encontros regionais, visando à discussão das políticas públicas de juventude e a capacitação de seus gestores, com o olhar diferenciado das especificidades regionais.

Uma iniciativa de grande simbolismo e resultado é o Parque da Juventude, idealizado pelo ex-governador Mario Covas, implantado na gestão de Alckmin e ampliado pelo governador José Serra, com o maior posto de inclusão digital, o Acessa SP e uma unidade da Escola Técnica Estadual. Outra importante conquista do PSDB na gestão do então Prefeito José Serra, foi o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, um centro público dedicado aos interesses da juventude paulistana e suas manifestações culturais.

É preciso avançar mais. Esse é nosso maior desafio. Incluir plenamente o jovem, oferecer condições para o jovem de hoje se tornar um cidadão consciente, o profissional da construção do amanhã. Como afirmou Franklin Roosevelt, “Nem sempre podemos construir o futuro para nossa juventude, mas podemos construir nossa juventude para o futuro.”

* Deputado Estadual (PSDB-SP) e

Presidente Nacional da Juventude do PSDB.

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